mOtNoiR: Existe terrorismo cultural?

11 de fev de 2008

Existe terrorismo cultural?


Quem viu o filme V de Vingança ou leu os quadrinhos pode acreditar que sim. Ou, ao menos um dia, gostaria de presenciar algo neste sentido.

Longe de poder ser considerado um terrorista nos moldes que conhecemos hoje, “V”, o personagem principal, tem uma ligação interessante com a cultura. Vivendo em uma sociedade controlada, ele usa música, literatura e afins para despertar a indignação na massa, alheia à sua própria situação.

Uma cena memorável é a invasão a uma emissora de TV, quando ele obriga a mesma a exibir um vídeo com discursos transgressores. Alguém aí lembra da invasão da Globo pelo PCC em São Paulo? Tudo a ver.

“V” era um rebelde que reconhecia o real valor da cultura, mantendo em casa um grande “museu” de livros, discos e obras de arte proibidas. Que na verdade transformava-se em um arsenal de guerra contra a mediocridade cultural. Consciente do poder libertário que seu arsenal possuía, ele os usava para alertar, despertar e também ironizar, é claro.

Seus atentados eram freqüentemente acompanhados de trilhas sonoras proibidas (Beethoven, Mozart...), e seus embates corpo-a-corpo, recheados de citações diversas, de filósofos como Platão a canções de Billie Holiday e Velvet Underground. Naquela Inglaterra controlada, poucos sabiam da existência de tais obras.

Nossa sociedade possui um verdadeiro exército cultural à sua disposição, usado de maneira porca.
Muitas obras esquecidas em museus, outras presentes na boca de intelectuais, filósfos e formadores de opinião. No entanto, poucos são os que realmente incorporam isso à sua realidade.

Nada que uma boa dose de terrorismo cultural não resolva.
Alguém se habilita?

Texto enviado por Rafael Lage

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